Mesmo com o reajuste do salário mínimo e a correção automática de vários benefícios previdenciários, muitos segurados já perceberam algo estranho: o dinheiro que entra na conta em 2026 nem sempre corresponde à expectativa. E isso não acontece por acaso.
Na prática, o INSS e o Governo Federal apertaram o cerco. Hoje, eles usam cruzamentos de dados mais rigorosos, revisões frequentes e descontos automáticos. Como resultado, o valor líquido pode encolher — e, em situações mais graves, o benefício pode até ser interrompido.
Por isso, entender os riscos virou uma forma de proteção financeira. A seguir, você confere os 5 principais motivos que podem reduzir o benefício do INSS em 2026, sempre com dicas diretas para se prevenir.
Pente-fino no BPC/LOAS e revisão de renda familiar
Quem recebe o BPC/LOAS precisa redobrar a atenção em 2026. Isso porque o governo avançou no cruzamento automático de informações do Cadastro Único, analisando o CPF de todos os moradores da casa.
Atualmente, a regra é clara: a renda por pessoa da família não pode ultrapassar R$ 405,25, valor equivalente a ¼ do salário mínimo de R$ 1.621,00.
O problema surge quando o sistema identifica qualquer indício de renda, como:
- novo emprego formal;
- recebimento de aposentadoria ou pensão;
- auxílios temporários;
- movimentações bancárias fora do padrão.
Quando isso acontece, o INSS pode entender que a renda familiar ultrapassou o limite permitido.
Consequência direta: o benefício pode ser bloqueado ou cancelado até que a situação seja regularizada.
Dica essencial: mantenha o Cadastro Único sempre atualizado. Pequenas mudanças ignoradas costumam gerar grandes dores de cabeça.
Empréstimo consignado aumentando o desconto todo mês
Muitos aposentados acreditam que o INSS reduziu o benefício, mas, na verdade, o desconto vem do consignado.
Com o novo salário mínimo em 2026, a margem consignável aumentou automaticamente. Como esperado, bancos e financeiras intensificaram as ofertas.
Hoje, o segurado pode comprometer:
- até 35% do benefício com empréstimo consignado;
- mais 5% com cartão consignado.
Ou seja, mesmo que o valor bruto continue o mesmo, o depósito final pode cair mês após mês.
Além disso, refinanciamentos prolongam a dívida e mantêm os descontos ativos por vários anos.
Dica prática: antes de aceitar novas propostas, consulte o extrato e avalie se o desconto cabe no seu orçamento.
Descontos de associações e sindicatos sem autorização
Em 2026, o INSS voltou a alertar sobre descontos indevidos feitos por associações e entidades diversas. Esses valores são retirados direto do benefício, muitas vezes sem autorização clara do segurado.
Normalmente, eles aparecem no extrato com códigos como:
- 214
- 924
E com siglas pouco conhecidas, como CAAP, AAPB, AMAP, entre outras.
Essas cobranças variam, em média, entre R$ 45,00 e R$ 80,00, o que reduz significativamente o valor final recebido.
Resultado: menos dinheiro na conta, sem o segurado perceber de imediato.
Como resolver: acesse o aplicativo Meu INSS e solicite a opção “Excluir Mensalidade Associativa” assim que identificar qualquer cobrança estranha.
Imposto de Renda retido diretamente no benefício
Outro fator silencioso que pesa no bolso é o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Em 2026, ele afeta principalmente quem recebe acima do limite de isenção.
O desconto costuma atingir:
- aposentados com benefícios superiores a R$ 2.824,00;
- pensionistas com valores elevados;
- segurados que acumulam benefícios.
Mesmo com reajuste anual, o aumento pode empurrar o segurado para uma faixa maior de tributação.
Efeito prático: o valor bruto sobe, mas o líquido diminui.
Dica inteligente: quem possui gastos médicos elevados pode usar essas despesas para compensar o imposto na declaração anual.
Perda do adicional de 25% após perícia médica
O adicional de 25% é exclusivo para aposentados por incapacidade permanente que precisam de auxílio constante de outra pessoa.
Em 2026, esse grupo passou a ser alvo frequente de perícias de revisão.
Esse acréscimo representa:
- 25% do valor do benefício;
- cerca de R$ 405,25 para quem recebe um salário mínimo.
Se o perito concluir que houve melhora no quadro de saúde e que o auxílio permanente não é mais necessário, o INSS pode retirar o adicional imediatamente.
Impacto direto: queda brusca no benefício mensal e redução também no 13º salário.
Atenção: sempre leve documentos médicos atualizados para a perícia.
Como conferir se o INSS reduziu seu benefício?
A maneira mais segura de identificar qualquer mudança é consultar o Extrato de Pagamento.
Você pode acessar pelo:
- aplicativo Meu INSS;
- site oficial do Meu INSS;
- telefone 135.
No extrato, é possível visualizar com clareza:
- valor bruto do benefício;
- todos os descontos aplicados;
- o motivo de cada desconto;
- banco responsável e data do pagamento.